domingo, 31 de agosto de 2008

Em seu lugar

"Três anos, 4 meses e 17 dias. O espanto da data acompanhou
as palavras que estavam vivas ali, letras impressas em sulfite...vieram do computador. Mas de um vivo e espanto que pulavam para acalmar o coração. Uma-e-trinta-e-sete-da-manhã. Pensei em devolver a caixa por correio "Não me servem mais essas palavras". Mas não só servem, como não queria que fossem embora...não era questão do simples desfazer. Quis tirar cópias e enviá-las, então...Mas sabia que ele tem os rascunhos. "Fingirei que morreu". Quase me convenci, mas não durou cinco minutos de consolo e pesames. Ri sozinha da imbecilidade que acabava de cogitar. A cabeça cedeu ao travesseiro e mandou embora os delírios. Bom é encarar. O que quer que seja. Perder."


"Uma arte"
Elizabeth Bishop

A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.

- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cerceando comentários

Fui acusada. Verbalmente. Aqui não é espaço para debates. Aqui é meu blog. Meu. Não, não sou ditadora. Mas tenho meu direito de resposta.
Tenho outros textos que quero muito publicar, mas está faltando alguma vida para terminá-los, aprumá-los e oferecer para quem quer que venha aqui vê-los. Sem falar, que agora disponho de uma excelente conexão discada, adquirida após intensa briga com a Telefonica.
Receber comentários sobre o que escrevo, não é qualquer coisa. Mas também, os encaro como comentários, pois são o que são.
Sem mais rodeios, vamos à minha resposta.
Nunca escrevi em primeira pessoa. Nunca. Publicar coisas minhas, não é de hoje. Tenho Bia por testemunha. Já são bem uns seis anos blogando, com a diferença de que nos anos anteriores me escondia em cortinas narradas por terceira pessoa e frases desconexas. Esses dias atrás me aventurei a ler um texto que escrevi há exatamente um ano. Não entendi absolutamente nada.
Hoje, escrevendo as realidades, as invenções, as minhocações, aos mesmo tempo que sinto-me inteiramente livre para escrever, uma responsabilidade maior está acompanhando: a vida que tenho tentado dar às palavras. Escrevendo coloco a minha expressão maior, pelo menos a que encontrei ou reencontrei para continuar respirando. Entende que é especial? Receber um comentário, do que tenho dado vazão, portando, não é um scrap vazio do orkut. Modero, não para deixar de publicá-los. Modero porque quero ver antes. Fim.
Será a primeira e última vez que me colocarei a explicar alguma coisa que não tenho que explicar. A coceirinha maior para escrever sobre isso, está exatamente lá atrás, no blog antigo.
Uma vez. escrevi um tratado revoltoso e rancoroso sobre a “baranguice”; dias depois algum anônimo, que me conhecia pessoalmente, claro, deixou um comentário bem malcriado me chamando de nomes feios. O recado está lá, para quem quiser ver, assim como todos os outros de conhecidos, desconhecidos e de anônimos. Concluam então, que não há nenhum problema quanto a receber comentários. Qualquer que seja a espécie e procedência. Ainda não usoprovedores chineses.
Quando ainda não dispunha desta maravilhosa ferramente moderadora de comentários, fui comentar uma única vez no blog do Mario Bortoloto e ele não publicou. Acho que não gostou do que escrevi. Mas o que importa? Tão pouco gosto do que ele escreve. É direito dele então, publicar o que ele quer lá no espaço que ele destinou a “atirarem” nele, mas onde paradoxalmente não publica as feridas causadas pelas balas.
Por isso, aconselho aos incomodados com a minha predileção, pelo menos por hora, a moderar comentários, que me deixem cá querendo vê-los antes de todo mundo para depois compartilhá-los. Cada um respira com a cadência que adquiriu com o tempo.

domingo, 24 de agosto de 2008

Da próxima vez...

"Andei trancada na falta de vontade para escrever. Comecei uns três. Tenho que publicar? "

Segunda-feira acordei de ressaca. Como acordei hoje. E ontem também. A de ontem foi pior. Fiquei provocando choques térmicos com a água do chuveiro para ver se passava a sensação de ter tomado um litro de pinho sol. Pano de chão, alvejante, desinfetante... Pode-se ver que meus parâmetros são bem caseiros e se precisarem de uma diarista, depois passo meu contato telefônico.
Para um início de semana, minha intuição dizia que aquilo não era um bom sinal. Claro que a “intuição” não veio do além, pois eu mesma ingeri consciente toda a bebida e ainda paguei a conta.
Cheguei a conclusão que não deveria ter levantado da cama. Não achava meu bilhete único para ir trabalhar. O que era um grande inconveniente, já que eu não tinha um centavo no bolso e estava atrasada.
-Pai, você tem uma grana para eu pegar o ônibus?
O velho vive perdendo as coisas dele, mas não ia perder a oportunidade:
-Onde você enfiou o seu?
Não sei pai, não sei mãe, não sei de nada, não sei o que vim fazer nesse planeta.
-Toma, só que você vai ter que trocar em algum lugar porque eu vou precisar de dinheiro para colocar gasolina.
Simplesmente abomino a idéia de pedir favor ou até mesmo comprar qualquer caixa de fósforo que seja na mercearia que tem aqui perto. Por sorte ainda existem vendedoras de balas na esquina.
-Ah moça, me desculpe...não tenho trocado.
Bom nem tanta sorte assim, mas eis que vem uma voz leve do além
-Volta qui moça, tenho sim. É que eu tenho que deixar escondido por causa de assalto e acabo esquecendo.
Dinheiro trocado, dei a parte que cabia ao velho e fui pegar o ônibus.
Não preciso dizer o quanto é deprimente essa parte do dia, porque não é um ônibus. É aquela Volare apertada, em que estar sentado não é grande vantagem. Quem passa no corredor tem que pisar em quem esta sentado no banco para conseguir descer.
Certa altura do trajeto deste dia nada promissor, consegui sentar ao lado da janela e um rapaz paraplégico, que pedia esmolas entrou pela porta de trás. Depois de um tempo pedindo moedas sem grande alarde ou textos bem preparados, rimados e exaltados, sentou-se ao meu lado.
Estranhamente comecei a sentir o braço daquele ser, encostando na minha cintura. Pensando se tratar apenas de um problema do sacolejar da condução, empurrei discretamente suas mãos para o lado. Mas sua nova investida não foi tão discreta. Empurrei seu braço, me levantei e fui sentar do outro lado, onde a moça que havia entrado comigo foi sentar-se, pois havia também para ela uma janela vazia.
Como se não bastasse isso, o cidadão começa a despejar meia dúzia de absurdos.
-Ah se eu tivesse uma mulher assim...Porque o que não funciona em mim é somente as penas né? O problema é que nenhuma mulher me quer mas se elas soubessê como sou bom no que faço...
Respirei fundo e mandei o camarada calar a boca. Ele não calou. Falei um pouco mais alto e ele disse “tudo bem, eu fico quieto”.
Só que ele não ficou e vomitou um texto impublicável. Entre outras coisas, eu virei a culpada por ele ter levado um tiro nas costas, pois boa coisa ele não estava fazendo, virei uma comparsa de seus perseguidores lá do Jardim Conquista e era o grande motivo do fato de ele querer continuar a pedir esmolas.
-Motorista, abre essa p**** dessa porta porque se esse cara não descer eu mesma dou um chute e ele sai rolando daqui.
Nenhuma reação do motorista. Silêncio no coletivo. Coletivo? Parecia que eu gritava num quarto vazio. O cara era paraplégico; a louca que gritava com um pobre pedinte indefeso, era eu.
-Vô descê sim. Mas eu vô descê porque eu pensei que cê era mulher e cê não é.
A essa altura eu já estava aos berros.
-Talvez eu não seja mesmo seu f**** d* p***, mas eu não me escondo atrás de um problema para enganar meia dúzia de imbecis que acreditam em você.
Vejam que mesmo numa situação de tensão, tenho a incrível capacidade de colocar para fora meu discurso inútil de valores.
-Cê vai ver...quando chegar um estuprador pra te catá cê nem vai saber de onde ele veio...
Ele desceu e eu aos prantos só pensava em dar outro tiro no doente, só que dessa vez bem dado.
Só ouvi o cobrador dizendo: “Que boca suja”. Lembrei de minha mãe, que também falava isso para meu vizinho quando ele tinha oito anos.
A moça que estava ao meu lado ainda se dignou a dizer que se eu acreditava em Deus, não deixaria aquilo me abalar, porque nada daquilo iria me atingir.
Mas eu estava mais do que atingida e Deus não iria resolver meu problema acumulado de anos. Praguejava silenciosa contra o mundo.
Tem gente que passa por coisa pior, sei disso. Tanto que cheguei ao trabalho contando apenas para uma pessoa o que aconteceu. E ela me deu exemplos maravilhosos de que aquilo não era nada.
De nada em nada, elas vão ficando quietas. As mulheres. A gente vive a banalização de tudo, porque iria ser diferente com o corpo e com a vida sofrida? Deixa o troglodita dar só uma roçadinha e fica bem quietinha que ele não vai te fazer tão mal. Acredita no coitadinho que se arrasta na esquina e em seus dramas pessoais horrorosos, que de moeda em moeda, sua culpa aumenta e o bolso dele fica mais cheio.

Além do cobrador, o motorista e meia dúzia de passageiros também eram homens. Não moveram um músculo para trás, para ver o que estava acontecendo. Colhões deviam ter. Só que não tinham mãe, nem filha, nem avó. Certeza absoluta de que eram filhos de chocadeira.


Voz no Nextel: “Não é pra deixar esse cara subir. Ele já arranjou confusão outras vezes e ninguém mais dá carona pra ele”.
Motorista meio sem graça: “Não se preocupa moça, da próxima vez ele não sobe...”

Voz no telefone às 18:30: "Achei seu bilhete único sua louca. Tava na bolsa vermelha que você usou ontem"

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

...Piedosa Nem Tanto ou Exercício de Liberdade - Parte 2

"Religiosa e piedosa é a pessoa para quem algo é sagrado" - Nathan Söderblom
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"(...) A idéia de sagrado, de Rudolf Otto, publicada em 1917(...) O sagrado é das ganz Andere, o "inteiramente outro" ou seja, aquilo que é totalmente diferente de tudo o mais e que, portanto, não pode ser descrito em termos comuns". - "O Livro das Religiões"

Seria fácil propor que em determinado momento da vida, você encontre um alicerce comum com alguém. Um alicerce para colocar em termos comuns o que será o sagrado de ambos, ou da coletividade, meu camarada.
Mas não dá. Não antes de eleger o não-descrever do que é sagrado para si. Não é no grito, não é na pressão, na repetição em busca de compreenção, que te darão o que quer que você exija. Entrega requer entrega. Não é um "como fazer", mas inclui abrir os ouvidos, desocupar espaços de velhas expectativas. Ajuda a receber seja o sagrado, seja o cotidiano, seja o seu salário.

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"how soon will I be holy
how much will this cost guru
how much longer 'til you completely absolve me" A.M



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Vai com Deus Sêo Dorival

No dia que o Caymmi morreu, vi as pessoas na TV cantando para ele e chorei baixinho.
Quando li a reportagem que dizia que ele foi morrendo aos poucos depois que sua mulher entrou em coma, chorei mais um pouquinho.
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"As moça de Jaguaripe
Choraram de fazê dó
Seu Bento foi na jangada
E a jangada voltou só"
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"A jangada voltou só" - Caymmi

domingo, 17 de agosto de 2008

"E embora eu sinta dor, não ameaço ninguém "

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"sometimes I feel it's all just too big to be trueI sabotage myself for fear of what my bigness could do (...)
I could be golden I could be glowing I could be freedombut that could be boring"
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"Fear of Bliss" - Alanis Morissette

sábado, 16 de agosto de 2008

Nome próprio

"Uma sensação horrível de ter jogado tudo fora tomou conta de mim de tal forma que só consigo pensar merda, que merda, MERDA"- Camila - "Nome próprio"


Desde quarta-feira, quando o assisti, fiquei querendo escrever sobre. Não sei se gostei, mas não deixei de pensar nele. Já disse para algumas pessoas que se alguns trechos fossem isolados, seria muito bom. Mas ainda não é isso.
A Camila, personagem que a Leandra Leal interpreta é uma blogueira que diz que vai escrever um livro. No meio de tanto dizer, bebe, fuma e fode com a vida dos outros pra c******. Censurei o segundo palavrão, porque ia ficar muito pesado.
Tentando escrever sobre o filme, queria relacionar com algumas coisas da minha vida, com algumas "coincidências". Mas não funcionou e desisti de duas ou três tentativas de uma escrita distanciada-aproximada.
Enquanto ela juntava umas páginas escritas, para "colar" no seu livro, uma pontinha de arrependimento me bateu. Logo que saí da faculdade, fiz uma faxina. A primeira das 357 que já fiz esse ano. Só que nesta eu não só limpei e joguei fora algumas coisas. Botei fogo. Queimei cadernos, cartas, diários da adolescência.
Eu escrevia muito e mais do que escrevo hoje. Escrevia sobre tudo e achava que ia ser escritora. Achei que ia ser desenhista. Cirurgiã. Revolucionária. Atriz.
Como hoje não sou nada e me *despossuí do pouco que tinha, não tenho problemas para falar abertamente sobre esses sentimentos que normalmente e antigamente eu esconderia. Escuto algumas poucas músicas no rádio, o pessoal pirando numas merdas que os caras cantam e penso: "Com 16 anos eu escrevia coisa muito melhor que isso". E não vou voltar no papo do que eu poderia ser e blá, blá, blá, porque essa conversa ficou resolvida lá nos primeiros textos do blog.
Não lembro de quantas casas a Camila-Leandra foi expulsa, mas me incomodou muito a inconsequência dela. Talvez por isso não tenha conseguido escrever aproximando o roteiro das minhas coisas. Não sou uma inconsequente, convenhamos. Acho que não sou.
O filme todo é da Leandra. Da Camila. Sei lá. Ou sei. Gostei da Leandra interpretando a inconsequentesinha. Mas acaba e chego a conclusão agora, que muita coisa que tá ali na tela poderia não ter estado lá. Ou eu estava com muita fome e não colaborei com a boa impressão que poderia ter tido dos 130 minutos de filme. Ou não ando sendo uma boa espectadora. Não sei como se avalia isso. Ou, talvez eu tenha que esperar para digerir um pouco mais as coisas que fiz, mesmo sem ser inconsequente e não tentar fazer paralelo nenhum com o filme.





*despossuído => palavra roubada do e-mail que Heidy me mandou.

Heidy, me perdoe por SEMPRE te ligar em ocasiões inconvenientes como agora há pouco.

O que vale e quanto vale

Outro dia cheguei mais cedo para trabalhar e fui comprar uma tomadinha para carregar o MP4. Desci do lado direito do metrô. Para ir para o trabalho desço do lado esquerdo. Do lado esquerdo, ficam os bolivianos vendendo as touquinhas, os cachecóis e as blusas. Neste dia eles estavam justamente do lado direito; mas se escondendo. Nunca tinha visto a Polícia Cívil em ação por ali. Babando para pegar um pobre boliviano. Neste dia não conseguiram. Mas semana passada, subindo a escada rolante presenciei o exato momento que a Cívil chegou e eles não tiveram tempo de sumir no metrô.
Mas a questão não é esta. A questão é que neste mesmo metrô, sempre tem uns caras tocando violino. Tocando bem bonito, concentrados e com os estojos abertos para colocarmos moedas. Justo, muito justo. A música deles em troca das nossas moedas.
Qual a diferença deles para os bolivianos?
A fronteira que eles passaram?
Não podia?
Ah tá.

"Tire seu piercing do caminho que eu quero passar com minha dor"

"Zeca,
Sei que em meio às coisas que tem para fazer, responder à minha mensagem ou ao menos ter que lê-la possa ser no mínimo chatinho. Sou das fãs menos afoitas e me contento em te ouvir em casa(Não fui à Paranapiacaba para evitar a fadiga, por exemplo). Mas te admiro, é fato.
Porém o que me tráz a esta página, para te mandar essa mensagem é: Uma amiga me abordou da seguinte forma: ""Tire seu piercing do caminho que eu quero passar com minha dor" O que ele quis dizer?" Além de não me lembrar onde se localizava esta frase ela me deixou intrigada na hora. Ai localizei a frase em meio aos meus arquivos e fiquei incessantemente pensando nela. A semana toda.
Por isso, seu moço, me diga, se é que pode e se acha confortável para me responder, de onde ela veio?
Abraço
Esteja bem"

Postando o "milagre divino"

"Mulher dá à luz a sétuplos no Egito

Uma mulher deu à luz séptuplos em Alexandria, norte do Egito, o que foi considerado um "milagre divino" pelo médico que realizou o parto, informou neste sábado a agência oficial Mena.

Ghazala Ibrahim Omar, de 27 anos, deu à luz sete bebês, quatro meninos e três meninas, numa cesariana realizada seis semanas antes do término da gestação, em um hospital universitário de Alexandria.

"Trata-se realmente de um milagre divino. A mãe não tomou nada durante sua ovulação", destacou Ahmed Salam, o médico responsável pelo parto citado pela MENA.

O diretor do hospital indicou que os recém-nascidos estão em incubadoras."


Fonte: O Diário de Pernambuco



Esses dias estive pensando que quase nehuma notícia vem lá do Egito. Ai hoje, Karen me mandou esta. Sei que achei lindo. Mas o trabalho que esta mulher vai ter, nem passou pela minha cabeça. Ficou por conta da Inara mesmo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A cortininha de bambu

"Oi amor,
Hoje eu vi uma moça entrando na condução com uma cortininha daquelas que eu queria comprar aqui para casa. Pena que agora já é tarde para comprarmos. Vê se descansa.
Ps.: Eu te amo"

O recado seria bom para um café da manhã, como ela sempre imaginou que faria. Mas ele tinha os horários trocados. Deixou o bilhete do lado do prato para janta e foi dormir.



"Why she
Had to go
I don't know
She wouldn't say
I said
Something wrong now
I long
For yesterday"

"Yesterday" - Beatles

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sem assunto

Estava sentada na muretinha que separa o canteiro da calçada. Ali esperando o Term. Pq Dom Pedro para ir até a São Judas pagar a tão esperada ÚLTIMA parcela do acordo. É Seu Judas, seu mercenário! Tá acabando!

Nunca tinha reparado que eram lírios que estavam plantados ali. E bem amerelos, bonitos e dançantes. Tudo bem, menos. Eram lírios.

Tinha um moço cuidando da terra, tirando as plantinhas mortas, um primor de trabalho e concentração. Olhando ele fazer aquilo, fui para longe...para adiante sem prestar muita atenção em qualquer outra coisa. Inclusive nele.

-Que foi moça, perdeu alguma coisa?

Como eu estava muito mergulhada no que estava pensando, não dei muita importância ao tom da pergunta. Só olhei para cara dele e fiz que não com a cabeça.

-Tem um monte de dondoca que pára aí e fica olhando maravilhada. Não sabe o trabalho que dá. Queria ver sair de cima do salto e enfiar as pernocas na terra.

Certo meu amigo, não precisa mais de um minuto para me tirar do meu fantástico mundo e me trazer para a porcaria da sua realidade com os pés no chão.

-E você? Como ia fazer para tirar seus pés enfiados daí da terra e meter num salto? Como ia fazer para sair dessa sua postura enganadora de cuidador de flores e trocar suas ferraduras por saltos finos e delicados?



Dei sinal para o ônibus e fui embora. Peguei o ônibus errado e tive que pagar uma condução a mais porque perdi a integração. Olhei para trás. A cara dele era amassada. Feia muito, feia.

Como comer sua cunhada

Oi Bia,
Já pensei seriamente em mudar de Blogspot para Wordpress, porque além da maioria dos amigos o utilizarem, sabia de algumas boas ferramentas que ele dispõe.
Porém, esta da delação, não sabia e confesso que fiquei impressionada com o tipo e a qualidade de pesquisa que as pessoas são capazes de fazer.
Que cada um tem lá suas esquisitices e loucuras, tudo bem. Mas se UMA pessoa procurando formas de comer a cunhada já é preocupante, imagine um pouco mais de três interessadas no assunto, como revelou o Wordpress...
Não que eu fique verdadeiramente preocupada, mas as bizarrices que tenho visto ultimamente, têm me deixado sem palavras e muitas vezes decepcionada. Pobres das esposas desses rapazes que depositam nas cunhadas, seus fetiches...nojentos!
Por hora vou continuar como Blogspot. Desde 2002, já mudei demais de provedor, de nome de blog...de alma. Aliás quando você me encontrou, digitou apenas Alanis Morissette?

Beijos
Polly

Armazém Paraíba

O cara entrou no metrô falando ao celular. Falando daquele jeito que eu odeio; alto, se inflando do que saia da boca dele.Era careca, tinha a barriga levemente avantajada e um sorriso imbecil. Usava um perfume tão insuportável quanto a voz dele.

-Alô, Fulana...Oi é o Fulano...Sim eu mesmo...É...é sim, andei um pouco sumido, porque estou rumando para novos horizontes.

Não tem outra coisa no mundo que eu odeie tanto, (pelo menos pensei que odiava muito na hora) do que alguém que diga que está "rumando para novos horizontes".

-É, eu estou trabalhado representando uma empresa...Visito estados do nordeste, do norte...Nível Brasil né!...É, só que um cargo maior, sou gerente né...ha ha ha ha ha...Sim, sim...é se chama Armazém Paraíba..siiiiim, a empresa do Sr. José e do Sr.Vladimir. Lembra?


Aí aquele nome ficou martelando na minha cabeça. Armazém Paraiba. Eu gostei do nome, apesar do "nível brasil" ter incomodado profundamente nos meus ouvidos um pouco antes.
O cara ganha status de gerente. Tudo bem , mais comida na mesa dos filhinhos dele. Mas qual a necessidade que o babacão tem de ficar se gabando, falando disso com a boca cheia de ovos? O que a fulana lá do outro lado tem a ver com isso e ele tava interessado em saber se ELA tava interessada?

-Ah sim...É eu liguei mais para deixar meu contato contigo e para deixar as portas abertas para quando quiser algum negócio com a empresa. Sim é. Coisas boas virão por aí e quando eu voltar te dou uma ligada para marcarmos um almoço, tá OK?


"Tá OK"??? Ah meu camarada! Tenha dó!

Estação Brás, ele desceu. Tropeçou na escada rolante mais rápido do que ela poderia rolar. E o último suspiro achou de ser suspirado antes do resgate chegar.

domingo, 10 de agosto de 2008

Nove de agosto de dois mil e oito

Quando eu durmo à tarde, acordo com a sensação de ter comido um pano de chão. Desci a escada e falei isso para minha irmã. Ela riu sem entender bem o que isso significava. Também não sei de onde saiu esse meu comparativo porque nunca cheguei a comer algum. Vai ver é porque tenho criado mais intimidade com minha casa através das faxinas semanais e o pano de chão é o responsável por levar consigo até o balde toda a sujeira acumulada da semana. É isso: quando durmo à tarde, meu estômago parece querer regurgitar (palavra horrível!) toda a sujeira que ingeri durante os dias.
Querer me livrar dessa sensação e como querer que uma faxina termine antes de ter começado.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"Sabe como eu consegui essa cicatriz?"

Dessa vez não roubei carro nenhum. Choveu a semana toda e ontem especialmente, choveu além do que eu suportaria para um trajeto de volta sentido Corinthians-Itaquera. Era 16h32. e do 16º andar da altura de um número qualquer da Av. Paulista, não se via o que se diz ser a luz do dia.
Portanto, às 18h30 me enfiei nos caminhos subterrâneos e alheios à chuva. Por esse motivo, inclusive não pude experimentar um novo modelo “emprestado” de um carrão qualquer que circula por ali. Até porque, não tiraria vantagem alguma; na situação calamitosa em que fica São Paulo em dia de tormenta, ter qualquer bilhete único carregado já é um luxo.
Desci na estação Santa Cruz. Como sempre, utilizei de artifícios pouco eficazes para fingir que não estava me sentindo, digamos...só. O shopping estava cheio, quase não dava para andar sem esbarrar em alguém, como então sentir-se só num lugar como aquele? A questão é que nem sempre me sou um companhia agradável ou que preencha alguns quesitos básicos. Não tenho uma outra mão esquerda para segurar a direita, por exemplo.
O grande inconveniente deste shopping, além das lembranças enjoativas que me vinham à memória ( e não vêem ao caso ) é que a cada piso que se chega, se é obrigado a atravessá-lo inteiro no sentido oposto para subir a outra escada rolante que levará ao piso seguinte. Ou seja, em cima do meu salto alto desconfortável, feito barata tonta de um lado para o outro, pouco me importando com as quinquilharias das vitrines do percurso, alcancei o piso da bilheteria. Que é o mesmo da praça de alimentação. Eu estava faminta, mas tinha que comprar o ingresso.
Na fila, após alguns minutos para entender a ordem em que anunciavam os filmes e sessões disponíveis e quase ficando na posição confortável de estar assistindo outro filme por mim e comigo, abro um espaço pequeno para perceber as pessoas ao redor e sou nocauteada. Imagino que das 30 pessoas da fila eu era a trigésima-primeira-e-única-desacompanhada.
Mais uns minutos de reflexão e bem... O fato de estar desacompanhada não quer dizer absolutamente nada, não é mesmo? Milhares de pessoas saem desacompanhadas durante e dia e existem milhares de motivos para tanto. O meu motivo era só mais um deles. O importante era que eu tinha meia hora para comer e aproveitei bem o tempo.
A praça estava lotada e sentei numa mesa ao lado de uma menina que me disse que ninguém sentaria ali. Tratei então de me colocar no papel de ninguém e me acomodar para melhor...apreciar meu nada modesto prato, que deveria caber em trinta minutos.
A menina tinha em seu prato exatamente três bolinhos de queijo, uma coxinha e um copo de coca-cola acompanhando. Tive vontade de oferecer um pouco da minha comida, mas estava envergonhada duplamente de comer tanto e de querer oferecer comida para uma desconhecida que poderia me achar um bocado inconveniente. Desisti da idéia.
Peguei a sessão das 19h30. Duas horas e quarenta minutos. Achei o filme bom, mas até agora não sei o que achei de verdade. De verdade eu...acho que com “de verdade” quero dizer que não sei se o filme...Ah, enfim. O filme cumpriu sua função básica e primordial de me distrair.
Não foi bem uma distração suave, daquelas açucaradas. Tanto que saí da sala do cinema com uma dor de cabeça considerável e não era só os primeiros sintomas de uma possível gripe.
Outra vantagem de não ter roubado o carro era que continuava a chover e o metrô estava vazio. Em uma hora e quinze minutos cheguei em casa. Não roubei nada, não ganhei nada, não perdi nada. Não precisa efetivamente acontecer alguma coisa para se estar cansado de um dia mais do que de sua vida inteira e eu descobri que estava.
Um dia só às vezes pesa muito; não é preciso muita coisa e é pior quando dá meia-noite, outro dia chuvinhento vai começar e o telefone não tocou nenhuma vez durante as incontáveis vezes que se pode olhar ao relógio para tentar marcar com exatidão o momento que as coisas acontecem. E elas não acontecem. Acontecem. Não.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O aquecimento global segundo Clodovil


"Esta coisa do calor polar, nada mais é do que todas as pessoas que nasceram. Nós somos feitos de água; cada ser humano tem de 72% de água. o quê que acontece? A água está toda em nós. Querem que a água volte para os lugares certos? Matem todo mundo."

!
Extraído do "Top Five" do CQC Brazil de 21/07




Boa Clodô! Imagina que tem gente que estuda pa c***** para achar uma solução e você, num programa de TV divulgou a receita!
Salve o milagre da urna eletrônica.