sexta-feira, 25 de maio de 2012

Matilde cisma.

Eu... Titubeio.

Ela voltou. Mais que um tapa na cara, ela me acordou com água quente.

Escaldei.

Houve quem me mandasse pra terapia. Até fui. Já Matilde, que não é de esperar na saleta ao lado, pulou a janela e fez questão de estatelar os dois joelhos no chão. Só pra mostrar que em matéria de coragem, eu ainda nem nasci.


Eis o momento único em que saio em sua defesa:

Matilde tem mais coração e não precisa de salvação.

Amém

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sentei no banco do parque da Mooca, depois de um dia bom. Achei tudo besta.
O índio velho na calçada da Avenida Mateo Bei. Ele me chamou dizendo que precisava ler umas coisas pra mim.

Seu livro era uma banquinha preta, cheia de pedras brancas. Pedras de todos os tamanhos, enfileiradas. Um alfabeto. Dele.

Passava as mãos por cima das pedras.

- O seu homem está tendo o segundo filho. E o seu filho também está por vir.

O índio leu na minha testa sem pedra branca, que eu não tava entendendo nada daquela história de "seu homem".

- Ele está na Áustria. Vocês vão se conhecer ano que vem.


- E o senhor acha que vou até a Áustria por causa de um homem?


- Não. Você vai trabalhar lá.

Com outra interrogaçãona testa, resolvi não prolongar o assunto.

- Quanto te devo Sêo Indio?


- Um real tá bom!

A intenção não era pagar. Perguntei por perguntar! Não tinhaum real no bolso. Corri até a mochila que tinha deixado encostada na frente da porta do boteco, ao lado da Igreja REnascer azul e comecei a caçar dentro da carteira. Só tinham fotocópias de notasde vinte reais.
As pessoas dentro do bar, vendo meu constrangimento, começaram a rir. Riam muito.

Notas falsas!

Só que meu constragimento não virou desespero. E à medida em que fui procurando moedas no fundo da carteira, ela ia aumentando de tamanho e no fundo dela apareciam muitas, mas muitas notas de todos os Reais possíveis.

Mas era segredo meu.

Saquei duas notas de cinco e corri até a banca. No lugar do índio, seus aprendizes faziam uma dança esquisita.

- Pode ir moça. Ele entrou no templo.

- Mas eu trouxe o dinheiro!

- Ele não precisa.
 

domingo, 6 de maio de 2012

O rio Ganges e a Filha do Vento


Por saber-se que era fruto dele, assim a chamavam: a Filha do Vento. Tinha nome, mas até hoje não se descobriu como pronunciá-lo.
Diziam que tinha sido batizada por algum índio, por isso o nome difícil. Estranho batismo cristão, como nome índio em terra de ninguém.
Banalizavam.
Por ser filha dele, não tinha parada. Um nome impronunciável, ao cair em ouvidos errados, só poderia ser ridicularizado. Como tudo que não é compreensível, que não é comum, que não é... Nem audível.
Outros diziam, que era possível ouvir seu nome. Sim, claro que se ouvia! Só não era possível decifrar.
Era um sussurro.
Um susto.
Era alheia a fronteiras.
Pulava corda com as outras crianças. Mas, nãosignificava que estivesse ali com elas.
As mãozinhas movimentavam a corda que despertavam o vento para brincar com a menina do ar. Dele vinha o afago que fazia o mundo dançar e com o carinho que só ela conhecia.
Ia de um extremo ao outro.
Os cachos não eram de menina índia.
Não sabia dos nomes, de quem se dizia dono de que pedaço, dos protocolos, convenções e muito menos das línguas.
Alguns diziam que nada sabia.
 O que ela sabia, dizem que era coisa "deles", por isso suponho que sabia um pouco mais.
Quando fez dezessete anos, passou a andar pelos telhados. O lugar em que morava, já não era de terra batida, não tinha nenhum chão vermelho pra correr com seu pai à seus pés.
O chão era cinza e mal acabado e a única forma de estar perto dele era sentindo o calor que protegia os que tinham medo.
De cima.
E assim como fizeram com seu nome, seu ato também foi vulgarizado. Não era mais nenhuma menina, o balançar de seus cachos já não era visto com inocência e não havia quem tivesse teto seguro para suportar o caminhar da filha do vento.
A leveza da vida que queria levar era um fardo pesado demais.
O que não se entende.
Um dia amanheceu como qualquer outro e ela amanheceu caída no chão. O sangue explodia do peito e se consumiu com a mesma intensidade com que pulsava lá dentro. Não queria e nem podia circular por outro caminho.
O vento parou de soprar por um minuto.
A TV queria mais sangue e montou o circo das banalizações.
Importava saber quem matou?
Importava era o que falavam, o que diziam, o que sabiam e o que não sabiam. No minuto seguinte, desistiu da trégua;
o Vento soprava com o furor da juventude interrompida. Não havia quem se atrevesse a tocar na filha, a tirar-lhe a liberdade de simplesmente estar ali.
O Ganges acolheu a menina.
Todos os rios levaram-na até lá.
O vento ofereceu sua filha às águas, em favor do ciclo que não pode ajudar a cumprir.



Texto (revisado) publicado em 23/10/2008

terça-feira, 3 de abril de 2012

::Diário de Sonhos::


Era o Galpão do Folias. A apresentação, ia ser na parte de cima e as cadeiras tinham aqueles negócios de ajoelhar na igreja. (Fui pesquisar e o nome é genuflexório. Como boa desertora, tinha esquecido disso)
Estava com uns amigos, e no meio da platéia, que estava em três filas, estava Rogéria. (Sim!!!) 
Ela reclamava muito! Perguntava aos berros, quem eram aqueles atores e o que eles pensavam que estavam fazendo... Que aquilo não era teatro e que ela estava se sentindo desrespeitada. A peça mal tinha começado. Alguns atores, semi nus, entravam no espaço para representar e ninguém entendia Rogéria.
Rogéria louca!
Quando saía de lá, estava no Metrô Tatuapé. O terminal de ônibus estava na parte de cima do Shopping, do lado direito. Aparecia Márcia (?) e dizia que algo grave estava acontecendo "lá". E apontava para o lado direito.


Aí aparecia um moço, mas já estávamos dentro de uma sala, me dizendo que tinha algo grave mesmo acontecendo. Mas que não podia me contar.


::Diário de objetivos::


Expandir e ganhar.

sábado, 31 de março de 2012

O tempo de se demorar nas coisas.

Da verdade a qualquer custo. Isso provoca uma seleção automática.
Quem ouve a verdade sem querer ouvir, vai-se embora. Quem ouve e entende, fica. Quem não ouve nada, é porque não importa.

É tempo bom de fazer brotar. Tempo de ir da Mooca à Cidade Tiradentes, gastar o tempo sendo e tudo parecer que foi um piscar de olhos terapêuticos. Tempo de estar. De se demorar nas coisas.
::Diário de Sonhos::


Era o sétimo teste. Não conseguia ler o texto. Estava com as letras apagadas e espirrei muito por causa de uma crise alérgica. A diretora dizia que eu era uma incompetente, imprestável e que não passaria no teste de novo. O rosto dela mudou nessa hora.
Falei que iria fazer o teste até o fim. E fiz. A última fase, seria num escritório. Não entendia bem o porquê, mas era ali. Via a diretora gritando com duas outras pessoas e dando tapas na cara delas. Me revoltei e disse que não iria mais ficar ali, vendo aquila humilhação. Comecei a gritar e a xingar a vaca. Ela disse que eu já estava praticamente "contratada" e que eu estava me prejudicando fazendo aquilo. Sai de lá, pela porta dos fundos, com uma das meninas que tomou o tapa. Do lado de fora...


...TINHA UM CASTELO-FLORESTA!


A noite era-roxa-preta. Não me lembro se a menina entrava no castelo comigo. Sei que entrei.
Lá dentro era um mundo de cômodos, labirintos, como se fosse uma cidade de pequenos compartimentos amontoados.
Para transitar entre eles, acionava botões e alavancas, com as mãos, com os pés. Fluia num ritmo alucinante de lugares, cores e sabores. Meio "Alice", meio videogame. Saia dos fundos de uma casa com muitos botijões de gás e ia parar numa cozinha indiana, com muitos cozinheiros indianos, que suavam o calor da India. Passava a mão nos objetos, experimentava as comidas, via os bichos.


Apenas passava pelas coisas.
Qualquer semelhança com minha realidade, não é mera coincidência.


É sincronicidade.