segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Estava à toa na vida...o meu amor me chamou(?) ou Postagem 77

Não viajamos no Carnaval. Desde os meus dez anos. Acontece que em 1994, vieram lá de Cuiabá nossos amigos, e fomos para Caraguatatuba, que é tão difícil de pronunciar quanto Itaquaquecetuba e Guaratinguetá. Faltou água, pegamos muito trânsito, ficamos uma semana com problemas intestinais e estomacais.
Nunca saí em bloco. Nunca fui pro Anhembi ver os paulistas fingindo que estão na Sapucaí. Salvador não me parece convidativo, Olinda muito menos. Parintins é só em junho e este é um mês bom de se viver em São Paulo mesmo.
O que não entendo é quem odeia o Carnaval. Por causa das festas? Ah...De quem se diverte! De quem morre nas estradas? Ah...De quem está trabalhando!
Já falei disso, mas foi no Natal. É tudo igual. Aproveitem os bons conselhos e sigam o caminho. Nada de rabugisse.

Programação de Carnaval 2009


"Que é isso, não adianta chorar desse jeito!" - disse ela consigo, severamente - "É bom parar com isso agorinha!". Geralmente dava bons conselhos a si mesma (embora raramente os seguisse), e às vezes se repreendia com tal aspereza que as lágrimas lhe vinham aos olhos; certa vez lembrou-se de dar um puxão nas próprias orelhas, por ter trapaceado num jogo de croquet que jogava consigo mesma, pois essa curiosa criança gostava muito de fingir que era duas pessoas. "Mas de nada adianta agora" - Pensou a pobre Alice - "fingir que sou duas pessoas!Ora, restou muito pouco de mim mesma até para ser uma pessoa só que se respeite!"

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carrol

O final do livro ou a aprendizagem da "dona" (da) lagarta

Polly diz: e as borboletas?

D. Paula diz: Ela não nasceu, estava morta!

Polly diz: !!!!

D. Paula diz: Pois é, acho melhor cutucar sua irmã logo!

Polly diz: as providências já foram tomadas. tomei uma picada de uma formiga ontem na mão...está do tamanho de uma bola de tênis

D. Paula diz: Ah! Cuidado! Quando era pequena, no interior na casa da minha avó, uma formiga me mordeu e demorou anos para sair a marquinha!

Polly diz: a marca tudo bem, mas e a mão? parece pão caseiro.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Kozmic Blues

Antes de sair de casa, olhei pro relógio:

-Mãe, cê arrumou?
-Tentei, mas o dos minutos não ter força pra subir.
-Mãe...olha direito...
-Que é que tem? Tá sujo? Limpa você!
-Não mãe, o dos segundos...tá indo ao contrário.
-Ah...ha ha...é. Ele não tem força pra ir pro outro lado.


A preguiça manda nas relações. Gás de pimenta na Augusta, só porque as pessoas eram coloridas; e eu ali, toda cinza fiquei vermelha por dentro...e tossia, tossia. O cara disse que a mulher que trabalhava na loja tinha perfil de periferia. Tentei me olhar de fora para saber se meu perfil Zona leste o ofendia: o encarei, mas ele só falava, falava. Tava calor e usava um cachecol. Era de qual classe? Sono, muito sono. Sonhei que me atrasava e me atrasei. Ele me disse que esse ano seria bom. Não sei o que determina isso de um ano para o outro, mas senti um arrepio no braço esquerdo. Toquei num livro e ele também se arrepiou. O arrepio veio porque disseram que as dificuldades iam me ensinar um monte de coisas e foi muito estranho ouvir, parece piegas quando lido, mas nunca tinha pensado assim. É estranho viver e não tomar consciência do aprendizado? Assimilação. Aculturação. Na mochila cabe o suficiente e esqueço que tenho cnquenta centavos, porque não quero e não posso gastar. Depois que saí do cinema, não conseguia prestar atenção em nada. Durante o filme, prestava atenção em tudo, inclusive no nó da garganta e no ponteiro que era igual ao da minha mãe. Tocou Beatles e foi a primeira vez que Beatles me lembrou Beatles mesmo. Mas os dois no colchão no chão me lembrou o quanto era bom. Ela usava blusinha xadrez e toda vez que vejo alguém vestido assim ,me lembro da foto dele quando era bebê no colo dela. Ela que sempre diz a verdade, mesmo que impulsionada por ciúme. Dizer a verdade, somente a verdade. Esses dias têm sido de verdade e parece que não carrego mais pedras. Não levo nenhuma culpa para a cama a não ser a de não sair gritando na rua. "Chapéus, sapatos ou roupas usadas, quem teeeem?" . A única culpa que carrego é a de não sair gritando na rua, como quando eu era pequena. Ia até o final da rua, que é sem saída, descia correndo e gritava até acabar o ar. Depois voltava e fazia de novo. Tenho falado das verdades sem gritar, mas um dia chorei. Se elas mudarem, falarei também disso, porque antes de ser coerente eu quero ser. Qualquer coisa. Um jacaré.

Ouvindo "Simple Man" Lynard Skynard

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Depois de dez anos vai começar a cair algumas fichas"

Depois de um ano sem fazer teatro, a única ficha que caiu é a de que não sei nada.
As teorias ficaram complicadas demais e não sei diferenciar o que começa pelo interior e o que faz o caminho contrário. Não sei o que me move e agora sim sei o que é ser uma página em branco. Uma página viva, porém.

"As emoções são, para o ator, o mesmo que os músculos para um atleta(...) A alma concretizada no corpo, pode ser fisiológicamente reduzida a uma meada de vibrações, adquirindo assim uma materialidade na qual o ator ha de acreditar"

Sonia Machado sobre "O teatro e seu duplo" de Artaud.


Me diz como faço para materializar uma alma que nem sei que tamanho tem?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mantra da alma ao corpo material ou do sol ao botão





Domingo, oito de fevereiro de dois mil e nove.

1962 pergunta: -Que é issoooo?

1984 responde: -Que é isso o quê?

1962 pergunta: -Tomou chuva?

1984 ironiza: -Será?

1962 consente: -Tava calor né?

1984 explica: -É. A aguá da chuva tá gelada e foi boazinha comigo.(pergunta para 1947) Não vai falar nada?

1947 reponde com pergunta: -Falar o quê?

1984 dispara: -Sei lá. Que vou ficar doente, que a chuva é ácida, que os vizinhos vão achar que sou louca...

1947 acaba com o papo com um subtexto: -Não, nada disso. Tá calor né?


"Quando não se tem mais nada, não se perde nada..livre do temor..."



Se eu fosse você eu não diria nada. Se eu fosse você me colocaria no lugar de outra pessoa sem o "não faria..." ou o "faria". Se eu fosse você olharia e apenas isso. No dia do show eu renasci. Foi assim, deixa eu te contar: Chegamos e já estavam todos lá. O segundo sol já tinha chegado, a vida tava ardendo e mesmo para quem chegou atrasado, havia tempo. Sempre há. Sentamos e decidimos que era um bom lugar, não só porque era o único que tínhamos, mas porque estávamos ali. Não conseguia olhar para o palco. Só olhava as pessoas e se aquilo é presença, posso dizer que colocar os pés descalços no chão foi só o inevitável. Elas eram de todos os jeitos e tinham em si todas as letras de todas as cores. Algumas fumavam, bebiam e eu sabia que apesar de não precisar mais dessas coisas, estava sendo bom para elas, porque sei que também é. Há alguns dias antes eu implorava ao telefone, para que não perdesse um fio delicado com o que já havia se perdido. Mas não era somente essa lembrança que me conectaria com o que viria. Pensei dias antes que um texto bom nasceria da treva eterna de uma mente que não esquece; só que se não esqueço é porque há luz e não ausência dela. Senti a brisa que trazia a chuva para me avisar do que estava por vir...Tocando meu cabelo. Não foram fichas que caíram. Foi que tomei consciência de mim. Pode ser que a consciência tenha durado apenas aquele instante. Sabe o que foi dito? Só eu posso abrigar a trilha da conversão, porque não é proibido ser tudo o que nunca deveria ter deixado de ser. Simples? É quase bobo para os dias que a gente vive, mas é assim. Lágrimas não rolam só de dor triste. Dói porque o ar precisa abrir espaço para entrar nos púlmões. Era só isso que eu queria te contar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Uma aprendizagem ou o livro das lagartas

Dona Paulinha: Sabia que eu estou criando lagartas?

Polly: não, não sabia mesmo!!!!!!!!!!!!!!!

Dona Paulinha: Eu tenho uma no casulo agorinha!

Polly:COMO ASSIM?

Dona Paulinha: Estou criando borboletas!

Polly: E como se faz isso?

Dona Paulinha:
Você acha uma lagartinha gordinha, coloca ela dentro de um aquário (vazio) e coloca folhas (Funciona bastante folhas de amoreira) e deixa ela comer até ficar bem gorda!Daí ela começa a fazer o casulinho dela e você deixa ela tirando umas férias.
Depois, se ela está feliz, saí do casulo e daí você dá uma boa olhada nela e deixa ela ir curtir o céu

Polly: ...

Dona Paulinha: Essa aqui parece que está com muito sono!

Polly: Essa aí é minha irmã. Não tá afim de curtir o céu!

Dona Paulinha: Então tem que deixar ela de férias por algum tempo; Sem ficar colocando o dedo nela pra ver se está viva.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

No capítulo de hoje: O triste drama da mulher pingente

Ela não fala com rancor da mulher melancia, da morango, samambaia, jaca ou jiló. Ela só se incomoda com a chuva que estraga a chapinha e molha a sandália. Tá sempre bem arrumada, não chama muito atenção, mas há quem repare na beleza de hall de prédio de classe média. Reparam assim...feito você que repara numa vitrine de shopping.
O que mais identifica a mulher pingente, é o homem do lado dela; rapaz-de-calça-jeans-cabelo-espetadinho-que-frequenta-balada-da-vila-olímpia, que não liga a mínima para o que ela diz, mas todo sábado a noite está com ela a tira colo fazendo um “esquenta” num posto qualquer.

A mulher pingente fica num monólogo eterno e solitário com esse rapaz. Quando se juntam com outrasda espécie, provenientes de cantos diversos da cidade, falam da última ponta de estoque da Diesel, lançando olhares falsamente desinteressados e lânguidos para o moço que consegue fazer dois metros de distância, parecerem um abismo entre os dois.
Ele só conversa com os amigos. Falam de carros, do restaurante da moda e está sempre um passo a frente da pingente. O que ela fala fica flanando, muito abaixo do vigésimo quinto andar do ego dele. A voz da garota suvenir não tem forças para chegar lá em cima, onde somente o bafo das últimas notícias sobre os litros de vodka que ele adquiriu no contrabando, sobrevive. A vodka que tá na mão dele não é nada perto da que tem em cas. Ele sempre vive coisas impressionantes num só final de semana e até o Spilberg desacreditaria dos efeitos especiais. O caminho de volta para casa, serve para ele planejar silenciosamente o que vai fazer depois de despejá-la e são somente beijinhos de boa noite, que ele dispensa ao enfeitinho que usa vestido.

O portador da mulher pingente não liga a miníma pro momento que ele vive. O que importa está no que passou e no que virá. E a suvenir balangando ali na frente dele é o único elo que ele tem, a única subconciência de momento presente, a única lembrança remota de que é quase um ser capaz de se relacionar. Mas ele sempre rompe o fio.

Diante de tanta responsabilidade do rapaz no destido da moça, não pense você que seria capaz de salvá-la de seu drama. Não perderia meu tempo, portanto não deixarei que desperdice o seu. Geralmente pingente não sai da corrente e quando sai, não serve para nada. Poderia ser fabuloso se escolhido, mas é irreversível, então prefiro que seja triste...