domingo, 26 de abril de 2009

Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer


E aí que vou ter que fazer a apreciação do mês em cima dessa peça aí.

"Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer ", Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer" ,Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer", "Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está precisa se mexer"... mês passado foi do "Querô". Bem mais fácil, tudo muito na cara, muito estatelado para escrever e escrever três páginas do que foi apreciar a montagem do Folias.


Mas o que vou escrever dessa peça?


Um São Jorge andando de bicicleta, gritando, apitando e parando o trânsito para as faixas subirem. Fui seguindo uma mulher de peruca loira e mala na mão. Colava cartazes falando da sujeira da televisão e tinha um moço de terno que depois tava de calção azul e cocar e depois...eu não sei. Acho que era um teatro que está procurando um outro lugar.

Acho que vou desenhar um São Jorge; na lua que pode ser qualquer lugar...um palco... e lutando com um dragão que pode ser qualquer monotonia.
Quem não se mexe não sabe as grades que o prende. Vou escrever pra sair das grades da dúvida.
*A temporada terminou hoje, mas em Maio reestréia.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O TEMPO CERTO DE SER

- Tudo sobre minha mãe -
Ela não fez a primeira comunhão, porque o padre, muito católico que era, não deixou. Ela não tinha sapatos brancos que combinassem com o vestido. Crianças assim não comungam do corpo de Cristo. É filha de uma mulher que foi muito rica que foi e voltou do manicômio várias vezes, porque o marido além de roubá-la, a deixou louca de tanto bater. Ela passou fome com os irmãos, comeu cera de vela e taioba do cemitério. Me teve com 22 anos e agora me escreve recados nas páginas do meu diário.

- Caleidoscópio e A(u)tor e cena-
O jogo, o jogo, o jogo, o jogo. O ingênuo fica nu diante dos olhos e o erro...Erro?palavra que não, não existe. Palavra que existe é outra coisa em cena, que fica lilás, que vira barraco que se enforca com cordão umbilical ou virou aspirina que faz motor de carro funcionar. Se tudo começou no quintal, se saiu da periferia ou se é no itaú cultural, não importa porque é palavra que atira e estilhaça sem barulho de vidro quebrado. É fibra na privada meu filho, porque a vó não liga de se dar de comer pros netos, pros filhos, pros atores. É o coração na cena que vai pra rua e pluft. Virou fumaça e pó da gente comer.

- Indo pra Aparecida -
Perguntei pro moço, ainda na Rodoviária do Tietê, se a festa de São Benedito ficava longe de onde a gente ia descer. Ele falou que não, que era dois minutos, ali atrás mesmo, que a cidade estava lotada e que era tudo uma beleza de Deus. Que São Benedito tinha feito um acordo com São Pedro pro dia ficar bonito. Antes de desejar boa viagem, falou pro moço da frente que era de Guará, mas que foi criado em São Paulo. Há um ano havia voltado pro interior porque a mulher morreu. Ele disse que resolveu partir pro ataque. E a festa era ali mesmo, há dois minutos, subindo uma rampa. Cor e congada. Subir era a única forma que eu poderia atacar.

- Uma intuição ou o ponto final -
É simples e todo poderoso. Bem disse a Luciana. O simples é o todo poderoso. E é muito simples. Se faz mal, não se chega perto. Fim. Fica longe minha filha, meu bem , minha querida. A intuição vem na figura da minha mãe que me procura ou fica triste. Sempre no sonho. É todo poderoso e não ouso contrariar. Fico longe e não tenho mais alergias. "A voz da intuição, a curva do universo a fórmula do acaso...a paz na solidão"

-Lenine -
O CONTRA O ENCONTRO A CONTRAÇÃO
A ERA O EROS A EROSÃO
A FERA A FÚRIA O FURACÃO
O COMO O COSMO A COMUNHÃO
O PRÉ A PRECE A PROCISSÃO
O PÓS O PÓSTUMO A POSSESSÃO
A COR A CORTE A CURTIÇÃO
AMOR A MORTE A CONTINUAÇÃO - "Continuação " - Labiata

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Textículo sobre coisa nenhuma

"Não, talvez não seja isso. As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito. Ou, pelo menos, não era apenas isso. Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas histórias. E nem todas posso contar — uma palavra mais verdadeira poderia de eco em eco fazer desabar pelo despenhadeiro as minhas altas geleiras." Os desastres de Sofia - Clarice, a Lispector



Segredo é não querer. Não quero não quero, não quero, não quero. Tá lá. Feito.
O segredo do que não quis é que no fundo queria e as coisas não queridas seguem os pés do não querer. Quando o querer vira querer do querer, o outro querer não quer mais. E aí quero, fico querendo, queria...uma pizza? Não. Eu quero, eu quero, eu quero. Não está lá. O vazio.
Mistério e piolhos invadem a cabeça dessa criança aqui. Era só me deixarem ali com as três bolinhas e o ursinho de plástico. Mas me acertaram pelas costas, com água e não era uma cortina dela. Era uma pedra d'agua. Não quero essa porra, toma de volta. E ficou tudo ali, implodindo. Segredo é o silêncio e mistério é olhar os piolhos no fundo dos olhos.

sábado, 4 de abril de 2009

Então é um mistério ou o limite é uma liberdade



[...] fazer uma experiência com algo significa que algo nos acontece, nos alcança; que se apodera de nós, que nos tomba e nos transforma. Quando falamos em “fazer” uma experiência, isso não significa precisamente que nós a façamos acontecer, “fazer” significa aqui: sofrer, padecer, tomar o que nos alcança receptivamente, aceitar, à medida que nos submetemos a algo. Fazer uma experiência quer dizer, portanto, deixar-nos abordar em nós próprios pelo que nos interpela, entrando e submetendo-nos a isso. Podemos ser assim transformados por tais experiências, de um dia para o outro ou no transcurso do tempo.
Heidegger



Disciplina é um processo de ampliação da auto-consciência, que também pode ser lida como "DeSiPleno", pleno de si, plenitude da escolha que se faz por si mesmo, livre de paradigmas limitantes e de modelos de mundo herdados que dificultam o ser e o estar na prática.
Dulce Magalhães



bom dia. como passa o mundo? vim aqui saber como está, como estão. às vezes é tão distante esse relação não é? sei que pelos menos uns trinta passam por aqui...em dois dias...numa semana, uns 50? Ah não sei.


queria dizer...queria não, quero... ah, uma vez fui fazer um pedido numa pizzaria, e disse "queria fazer um pedido" a menina respondeu "ah queria, não quer mais?". fiquei meio chocada e disse "Como e´que é?" .ela, muito "macha", não repetiu a pergunta. fiz o pedido, porque quero e não porque queria.

bem, quero dizer que vim aqui para isso mesmo. saber como vão, como vai o dia, o mundo. minha cabeça está cheia de coisas. tirando o fato dela ter um tamanho considerável e caber muitas, ela está cheia porque sobrecarreguei. essa semana foi cheia mesmo. a melhor coisa que fiz foi perder o celular, (na semana retrasada) pois mesmo assim estive cheia de gente falando no meu ouvido. Estive cheia de coisas para ler que não entendo, de gente para conviver que entendo menos que os livros para ler; cheia das poucas horas para dormir e da madrugada para acordar. cheia de madrugação. e aí como essas coisas me tomaram por aí, vim aqui mesmo para esvaziar .


isso é um pouco triste, acho. porque as pessoas que gosto também estão cansadas, mas não querem esvasiar. querem ficar por aí, fazendo mais coisas ou deixando que a TV faça por elas. tem gente que gosto muito e que não quer conversar. tem gente que gosto mais ainda e que não precisa conversar comigo, não por agora. não quer esvaziar comigo. tem gente que me quer, mas não é para esvaziar. é para encher. para me encher. então, não adoro.


não é tão triste isso, mais uma aprendizagem. mas tenho que dizer aos moços que não me procurem, por exemplo. sempre gostei muito deles, mas não sei se pelo tempo sozinha ou pelo tempo que passei com um outro moço, tenho a impressão de que os moços outros andam meio confusos. namorando com outras moças e me procurando. isso é constrangedor. para mim. para eles não, porque se fosse, não me procurariam. os moços que não tem outras moças e também me procuram, em geral não são muito bom das ideias. esvaziaram tanto por aí que ficaram ocos. ou já nasceram assim. à esses não preciso dizer que não me procurem. eles somem ao sentir o primeiro sinal de vida. sabe como é isso? é...constrangedor também. quanto às moças, não digo para que não me procurem. elas sabem que gosto de moços, apesar deles não serem mais tão gostáveis.


sabe de outra coisa que quero dizer? me dei conta, indo trabalhar essa semana, que não me importo mais de morar numa cidade igual a essa aqui. cheia de carros e de gente se empurrando. poluída. faz uma ideia do que é isso? isso, antes, era um assunto diário, uma inquietação, um impulso para fugir. hoje não. tem cada vez mais gente na rua, em todos os horários, em todos os ônibus, gente comprando, gente fumando....não é que estou apática, entende? É que me acostumei ou que olho isso de outro jeito, talvez. isso também é apatia? será? você consegue me responder?


tem outra coisa. não estou profundamente apaixonada por nada. isso tem sido ótimo. e digo isso para você, porque é o seguinte: achei...achei não, estive num estado de enamoramento por certas coisas e pessoas que me tomaram nos últimos anos. vivi os extremos com isso. o querer absoluto, acima de todas as outras e outras e outras coisas e vivi a repulsa. a repulsa do que me enamorava e de das outras e outras e outras coisas também. mesmo vivendo a repulsa , não conseguia sair do círculo. o cículo é um vício, as alianças são um vício. não terminam. ninguém sabe quando começa e nem quando acaba. mas aí algo se rompeu.


hoje estou aqui dizendo que algo se rompeu. e que hoje e aqui, sinto a dor de estar viva nesse mundo, mas é a dor de estar viva e não de sentir pena de mim. sabe? não quero demais nada, absolutamente. só esvaziar e preencher. esvaziar e preencher. passar por isso que é ouvir, experenciar o que ouvi e só depois responder. esqueceu como é também? não foi só você. sei como as coisas andam funcionando por aí. É tudo muito atribulado e acham que isso é paixão. eu também achava.


pode ser isso mesmo, mas estou reinventando meus significados, onde querer e estar são sinônimos. eu estou você. você(s) sabe(m) o que é outridade?