Fiz contorcionismo, piruetas, cambalhotas e cuspi fogo. Me exibia para Andre. Estava lindo. Cabelo cortadinho, ao conrário do cabelão que ele tinha quando conheci. Mas lindo. Andre fazia escova no cabelo quando ia tocar. Era guitarrista. Mas isso foi antes de me apaixonar. Hoje faz um ano que me apaixonei por Andre. Andre, Andre. Por que abandonou a guitarra Andre? Por que pensou duas vezes antes de pular comigo?
Só ficava com a latinha de Itaipava numa mão e meu coração na outra. O sorriso iluminava a cara dele.
Era amor?
Fomos à praia num dia frio. Quando começou a escurecer, olhei para o lado e não vi mais Andre. Nem senti mais o cheiro do álcool edo cigarro. Vi que a areia tinha virado barro vermelho e uma pequena subida me revelaria um pasto gigante e verde. E o que pareciam ovelhas ao longe, eram lindos cavalhos brancos. Do lado esquerdo do pasto, uma plantação de girassóis, semi devorada. Deduzi que fora pelos cavalos.
Agora quem fazia piruetas e contorcionismos era Andre; outras coisas ocupariam meus olhos e eu precisava de espaço.
Sai da frente Andre!
Só eu não sabia que já não suportava mais nicotina e cevada. Andre exalava as duas coisas e um insuportável cheio de insegurança e coisa mal resolvida com o pai. A mãe não gostava de mim, porque eu morava há 38 quilometros do centro.
No meio do pasto, uma trupe corria, girava e gargalhava. Me juntei a eles e me carreguei de girassóis. Óleo e sementes me fariam forte durante a viagem.
André nem era tão bonito assim.
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